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Mar 08

Fazer arroz é uma arte que eu, com assinalável mestria, domino. E o facto deste ser um dom de família não diminui, nem uma grama, o mérito que me assiste porque é um dom sim, mas não é inato.

 

Desde cedo o meu arroz de tomate recolheu louros e daí ao arroz de bacalhau foi um pulo, conseguido com o mesmo mérito e destaque da especialidade primeira. O passo seguinte: a diversificação. Com pimentos, de manteiga, de vitela, de tamboril, frito, de cenoura, de cogumelos, de feijão e bacon, enfim, digam-me vocês. 

 

E porque é que não enalteço aqui também a minha capacidade de cozinhar massas? Porque nada há a dizer nesse domínio: panela de água, massa, sal, 10 minutos, escorrer, manteiga ou natas ou azeite ou um molho qualquer e está. Agora o arroz, o arroz é todo outro mundo. Não faz um arroz quem quer. Faz quem sabe. Começa por ter de se conhecer o simples facto de que a quantidade de arroz cru e arroz cozido em nada se assemelha. E logo aqui pode começar o desastre. Depois a quantidade de água. Decisivo este passo. Umas gotas a mais, umas gotas a menos e é o fim. O lume. Não vale a pena fixar uma regra de algibeira para a água se depois não colocamos o lume no ponto. E, finalmente, o momento de desligar. E aqui sim, tantos falham. Há que desligar o arroz quando ainda parece inacabado - e daqui excluímos o arroz solto, que o limão já tratou de finalizar - tapar a panela para o deixar abrir e servi-lo minutos depois, assim, mimosinho.

 

Não é para todos, isto.

 

publicado por ag às 11:42

2 comentários:
Ainda agora almocei e já sinto um rio de baba pela garganta abaixo...é bom ser “o” que vai deliciar-se com esse arroz logo ao jantar... beijo
pm_marinho a 1 de Março de 2008 às 14:53

ag a 1 de Março de 2008 às 15:32

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