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Mar 08

E isto condicionou toda a minha existência. Eu era sempre a segunda no Monopólio (se bem que a competição a tão alto nível me permitia ganhar com qualquer espécime da minha idade), era derrotada com uma facilidade insultuosa no braço de ferro (aqui há a diferença de género a não ajudar) e estava sujeita a todo o tipo de chantagem psicológica que, inevitavelmente, se traduzia em sucesso para o prevaricador. E que ganhei eu com isto? Além de um poder de argumentação estonteante, do sarcasmo como nome do meio, de uma elasticidade nunca vista em ambas as mãos devido às constantes confusões entre as minhas mãos ainda em desenvolvimento e plasticina, eu ganhei uma revigorante auto-estima. Bulletproof.

 

E olhando para tanto ano de vivência comum, traduz-se tudo em duas tiras do Calvin: uma, em que o pai lhe explica que ele foi comprado num sítio qualquer sob a promessa de ser quase tão bom e muito mais barato; e outra em que o Calvin avança a medo pela casa, espreitando na esquina, não fosse o Hobbes ter preparado alguma - nenhum outro miúdo da minha idade tem esta preocupação. Ele tinha. E eu também.

 

 

publicado por ag às 19:18

comentário:
Passando para conhecer o blog e deixar um abraço
Gonçalo de Assis a 19 de Março de 2008 às 01:21

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