26
Abr 08

Eu podia alterar a data aqui deste post mas isso tinha tanto de conveniente como de falta de verdade, e este é um blog que não se presta a esse tipo de minudências. Além disso tinha de alterar o título e assim está muito jeitosinho. Adiante. Ou Avante, se preferirem.

 

E isto tudo para quê? Para anunciar que eu sou uma pessoa com bastante autoridade no que às canções de intervenção diz respeito. Todas as minha refeições caseiras até sair de casa dos meus pais incluiam música, e quando para aí se estava virado (e estava-se bastante), música de intervenção. Exemplefiquemos o que é que a expressão bastante autoridade encerra: digam-me assim 10 músicas dentro deste género que vos ocorram, eu conhecerei 9. E conhecerei a bem conhecer, leia-se, consigo trautear o refrão e mais uma ou outra estrofe. Sou uma autoridade, portanto.

 

E deste meu vasto conhecimento o que é que eu quero transmitir? Que não há música de intervenção mais bonita que a Trova do Vento que Passa. Raios me partam se o poema do Manuel Alegre não é lindíssimo, em particular estas quatro estrofes:

 

Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

__

Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio -- é tudo o que tem
quem vive na servidão.

__

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

 __

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.

publicado por ag às 19:49

pesquisar neste blog